terça-feira, 13 de outubro de 2009

CABO VERDE PRECISA URGENTEMENTE DE POLITICOS DE TERCEIRA GERAÇÃO




( … Os políticos modernos estão condenados
a se dotarem de estratégias, tácticas e instrumentos
bem precisos e sofisticados ; devem ser capazes de
reinventa-los e reconfigura-los permanentemente.
caso contrário perdem o comboio, e ficam no púlpito
a fazer sinais de transito enquanto todo o tráfego
está ocorrendo na rua ao lado. .)

Parte IV/ IV




Há duas perguntas que merecem respostas prontas por quem de direito, e em tempo útil : Quem estará disponível para integrar listas para o parlamento nos próximo pleito eleitoral em de 2011? Que critérios de selecção deverão ser adoptados pelos presidentes dos partidos?
Se fizermos uma pequena retrospectiva do desempenho da classe política presente na mais alta instância da soberania cabo-verdiana a Assembleia Nacionalnos últimos anos ( e porque não nos outros órgãos de governação do pais.. ) , salvo as devidas excepções , chegaremos facilmente à seguinte conclusão: temos tido um enorme deficit de desempenho politico global dos sujeitos parlamentares de ambas as bancadas. O primeiro sinal tem a ver com o elevado índice de absentismo nas sessões da AN. Temos figuras, que já estão a aquecer as cadeiras do parlamento há dois e três mandatos; alguns até já produziram alguma coisa , outros porém, transformaram-se em autenticas mobílias carunchosas de três pernas; uma parte substancial de deputados de ambas as bancadas após tanto tempo a beneficiarem de um estatuto privilegiado de eleito nacional, com um salário que nem sempre se traduz em produto político legislativa, têm pelo menos três denominadores comuns: - vícios crónicos e recorrentes, (do tipo dos cometidos pelos alguns célebres locutores de rádios, por décadas sem se darem conta …), audição muito selectiva, (.. ouvir somente aquilo convêm..), descartar tudo aquilo que vem da bancada contrária ; algumas destas mobílias, esqueceram-se da sua profissão de base e padecem de perda continua de capacidade competitiva a nível do mercado de trabalho, porquanto ficam carrapatidos nos assento da AN . Ora tudo isto, acompanhado de uma grande dose de cosmética institucional, cria um clima já perfeitamente identificado pelo cidadão anónimo ao longo dos anos , a afiliação partidária. Justiça seja feita aos poucos que não se inscrevem neste rol. Os comentários dos bares e dos espaços de ajuntamento de “mandadores de boca” , naturalmente não são audíveis aos sujeitos parlamentares. Se por acaso, ouvirem um outro rebelado mandar umas bocas dizem logo : ” conversa de ignorantes, apolíticos, rabentolas.. ”. Vezes sem conta ouvimos desabafos , em tom jocoso ou de ira, para o transístor, que teima em retransmitir as sessões da A N : “ paciência , parece que este pessoal no parlamento ou não consegue ouvir a sua própria a voz, ou só ouve aquilo que lhe interessa , ou aquilo que ninguém diz.. .”; isto de, repetições desnecessárias, perdas vergonhosas do tempo de todos , acusações de circunstancia, defesas descabidas, já todos estamos sobejamente habituados! O que é triste, é fazerem tábua rasa aos sentidos que Deus deu a todos nós. È no mínimo absurdo ouvir alguém em pleno gozo das suas faculdades, comentar sobre a intervenção que o antecedeu: “o senhor nada disse” ( tratando-se naturalmente de aspectos que aquele não quer ouvir, mas que foi audível para todo o mundo ... ). Porém, quando um infeliz diz algumas balelas e é alvo de tchacota colectiva, vem um camarada colega inventar um rol de baboseiras à pressa para o defender. Enfim às vezes assistimos a verdadeiras palhaçadas, e só eles é que não vêem de onde vem a piada. O problema é que estes artistas não se dão conta que nós daqui do bairro estamos, como sempre com o ouvido colado à rádio e ouvindo tudo , entra ano sai ano … Dá estragá ! Infelizmente o nosso parlamento mais vezes que desejaríamos envia impulsos e mensagens menos positivas para a sociedade. É também altamente preocupante, para não dizer confrangedor, ouvir “alguns” digníssimos eleitos nacionais falarem despudorada e petulantemente sobre matérias relativamente às quais não se deram a um trabalho mínimo de investigação ; Quem não ouviu governantes a anunciarem em alto claro e bom som : “ este ano com certeza iremos ter as bacias hidrográficas”. Com se elas fossem produto de algum governo e não parte integrante da da mãe natureza.. . Ou por exemplo: “ baixamos X posições no ranking internacional, mas fiquem sabendo que isto não significa nada . Ña realidade crescemos .. “ Como, se o cidadão médio desconhecesse o significado relativo e ou absoluto do valor dos indicadores; podemos até ter crescido, mas certamente .. mas se baixamos no ranking internacional , algo de menos bom aconteceu. Isto é elementar quem insiste nestes argumentos de meia tigela tem certamente os dias contados. Pena que patacoadas desta natureza acontecem também em conferencias e seminários , onde muitos falam enquanto representantes do povo. Simplesmente uma vergonha nacional. Às vezes fica-se com imensas duvidas por esclarecer, e que vêm na linha dos denominadores comuns aos quais inicialmente fizemos referência. Qual é a verdadeira justificação para este descalabro? Os líderes dos partidos assistem a este carnaval e parecem estar de mãos atadas. Hoje não se pode admitir conivências com mediocridade na política. Que incentivos existem para que os jovens capazes, ( não os cábulas , e ou caixas de ressonância dos velhos matreiros ..) optarem por uma carreira na política? Há muita coisa a dizer sobre este assunto. Escola de política precisa-se? e porque não? Há aspectos incontornáveis que não podemos deixar de referir. mais que claro que os tempos de hoje estão a mudar com uma velocidade vertiginosa, e a politica tem que manter a passada da modernidade. Fazer politica séria, consequente com solidez, porquanto merecedora de respeito, requer ingredientes precisos a saber: Conhecimento claro do sentido e da direcção que devem ser imprimidos ao país, dispor de assessoria politica e técnico-científica permanentes e da mais alta qualidade, amplo domínio de informação, vontade e coragem para eliminar logo que detectados , sinais de mediocridade , incúria e oportunismo latentes na actividade governativa. Quem não for capaz de eliminar atempadamente os tradicionais contaminantes da arte de fazer politica, e rodear-se de gente capaz nas diferentes áreas de governação está condenado a morrer antes de entrar na urna . Se a politica é também a ciência que agrega e potencia um sem numero de valências meios e capacidades em prol do bem estar da sociedade, os seus protagonistas e agentes devem antecipar-se aos acontecimentos e as tendências que se desenham na sociedade. . Os políticos modernos estão condenados a se dotarem estratégias, tácticas e instrumentos bem precisos e sofisticados ; devem ser capazes de reinventa-los e reconfigura-los permanentemente, caso contrário perdem o comboio, e fica no púlpito a fazer sinais de transito enquanto o todo o tráfego está ocorrendo na rua ao lado. Antigamente toda esta parafernália no modus faciende da politica era facilmente substituída com meia dúzia de palavras certas ditas no tom e no timbre adequados; hoje, com dizia o meu saudoso tio “ Nem flaça”! Hoje é muito fácil desmontar discursos baratos e populistas, com três cliques .
Convenhamos, que fazer é obrigação de quem governa; fazer bem feito é apanágio de alguns ... Iluminados. Fazer mal feito e ou permitir que outros o façam , desgasta, que nem rebarbadora sobre esferovite . É mais do que evidente que no seio dos dois maiores partidos de Cabo Verde e que efectivamente têm vocação de poder, os jovens estão a consolidar uma postura de irreverência positiva, exceptuando alguns conhecidos verdadeiros “talibãs”, porquanto genética, ou circunstancialmente mal defeituosos . Poucos aceitam ser mulas da política torpe de qualquer fala barato; são capazes de se demarcarem de figuras patéticas e desequilibradas no seio dos seus pares sem pôr em causa a sua afiliação partidária; não se muda de partido por da cá aquela palha; Ora , partindo do principio que a situação tenderá a evoluir de molde a cada vez mais se premiar a excelência, a competência, a qualidade, e o rigor, dizíamos, estamos convencidos do seguinte : Ou se escolhem pessoas capazes de inverter completamente a forma de fazer politica em Cabo Verde por um lado melhorando a imagem dos seus protagonistas , ou os partidos se inclinarão para um descrédito crescente e sem precedentes; Este presságio preocupa-nos sobremaneira pois na realidade quer queiramos quer não , na democracia pluralista, que nós abraçamos com a abertura politica nos dos inícios dos anos 90, os partidos políticos são instituições incontornáveis, na democracia. Por estas e outras razões, não temos duvidas que CABO VERDE PRECISA URGENTEMENTE DE POLÍTICOS DE TERCEIRA GERAÇÃO, a geração pós independência e certamente pós anos 90, verdadeiros soldados da democracia e promotores da uma autentica cultura de constitucionalidade.

Péricles Barros
(Cidadão )

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

CABO VERDE PRECISA SIM, DE UMA NOVA GERAÇÃO DE POLITICOS



Parte III/IV
O meu interlocutor foi peremptório: Cabo Verde precisa de uma ditadura! Devo confessar fui na bola e deixei-me embriagar pela lógica e os argumentos por ele aduzidos, que por sinal dão para pensar. Bolas, estou em democracia e posso dar-me ao luxo de pensar alto, em silêncio e, até jogar um pouco com o que, aparentemente pode, roçar o absurdo. Para já o absurdo só existe por que há uma forma alternativa de “reasoning out”, (como dizem os anglófonos), diga-se, de organizar o pensamento, interpretar a realidade e ou raciocinar; Referimo-nos obviamente ao socialmente bem aceite, aquela que sistema entendeu designar, como normal e inteligível, se se quiser urbano. Pois é, ia dizendo que estou em democracia e dou-me ao luxo de exercitar ao limite que julgar adequado, a minha liberdade de pensamento; se isso for considerado uma fugida da estrada comum não me incomodo muito. Reflectir sobre o contraditório, ou outras formas de organização e gestão da sociedade e expressa-lo livremente, só é possível na plenitude em democracia; em ditadura, este exercício também é possível, porém deverá ser feito preferencialmente em silêncio, para não se correr o risco de experimentar o efeito de 220 volts numa zona do corpo que normalmente nem exposto ao sol costuma estar. Voltado à conversa, estive em vários momentos de acordo com o meu parceiro; relembro de termos acordado que , com uma pitada de sorte ( em termos da pessoa certa para o lugar certo) haver vantagens para a sociedade dispor de um timoneiro que tenha os poderes todos na mão e que os exerça, quando julgar oportuno. O que ganhariam a sociedade cabo-verdiana em geral e os municípios em particular tendo como figura de proa, alguém com estatuto, com prestígio semelhante ao dos administradores do concelho do período colonial ? Muitos certamente ainda se recordam, daquele tempo. A grande maioria destas figuras era de elevada estatura moral e cívica, respeitada, rigorosa, com ampla margem de manobra do ponto de vista decisional, sempre presente, exercendo os três poderes: criavam regulamentos, actuavam directamente sobre os acontecimentos , faziam julgamentos sumários e obrigavam os prevaricadores a pagar de forma célere pelos danos causados à sociedade. Estas figuras eram portadores de uma mão firme na ordem pública através de um controlo directo da policia. A patrão do concelho exercia a sua acção na vidas de todos os cidadãos, desde as inspecções aos potes de água para beber, ao visual das casas (caiação obrigatória todos os anos), passando pela aplicação de multa imediatas pela rejeição de águas usadas nas ruas, autorização prévia para fazer bailes, interdição de entulhos nas vias publicas, enfim; havia uma presença física de policias nas ruas 24 horas por dia; Cães vadios? Muito poucos. Carros especiais para os capturar, com período preestabelecido para recuperação dos mesmos pelos donos mediante pagamento de uma coima pouco meiga; Construções clandestinas? Nem pensar! Atitudes ditatoriais? Autocracia? Já imaginaram que hoje a qualidade de vida dos cidadãos está altamente comprometida pela falta de soluções para os problemas acima descritos, aplicadas com vigor QB, e em tempo útil? Ora nem mais. Certamente haviam casos em que o administrador abusava dos seus poderes, porventura fazendo “jus” à sua condição de humano , sujeito a falhar ; não duvido que na maior parte dos casos actuavam com a intenção de beneficiar a colectividade, de bem-fazer em abono da sociedade; Verdadeiros servidores da causa publica, autênticos comandantes de um verdadeiro exército de funcionários públicos irredutíveis na defesa dos interesses do colectivo; os municípios eram melhor geridos? Dá para pensar. Acreditem que sobre isso, eu não tenho muitas dúvidas; por outro lado quem quiser confundir isso com saudades dos outros tempos não poderia estar mais equivocado, como adiante tentaremos provar. Seria fabuloso se pudéssemos conjugar, uma cultura de constitucionalidade democrática e pluralista com a presença de um verdadeiro patrão na gestão da coisa municipal, passível de cometer excessos de uma vez ou outra, e que nos pudesse brindar com o exercício de um poder municipal de “largo espectro”? Quem não ouviu falar do filho que relembrando o pai dizia: o meu pai, era um ditador de primeira, porém se tivesse de escolher, escolhê-lo-ia de novo; Se o aplicar o aparente paradoxo acima referido na nossa realidade, alguns vírus altamente resistentes na nossa sociedade teriam vida curta; Inclusivamente, poderíamos até eliminar o pior deles todos: o seguinte conceito, que por ser pernicioso, serve somente para anestesiar a mente dos cidadãos:
“ Caros concidadãos, devo dizer-vos que , estes, são males das sociedades modernas, Cabo Verde esta inserido no mundo global, temos que aceitar que não será possível eliminá-los, mas sim atenuá-los quando passarem dos limites, porquanto não vale a pena dramatizar a situação “
É esta passividade ou comodismo que vai minando esta sociedade, a ponto de alguns se ter a sensação que dá-se mais protecção aos delinquentes do que aos cidadãos comuns e vitimas de uma corja de bandidos perfeitamente instalados. Ora, meus amigos, imaginem que repescamos do nada, uma figura do estilo dos Srs. Administradores Minite, Lenco, Napoleão Azevedo, ou Rendall, ? No mínimo, os THUGS, os ladrões de energia, os camionistas displicentes, os hiacistas malcriados, os taxistas desenfreados, os “mijadores” de rua, ao ladrões de plantas da via publica, os donos de casas cinzentas, os lançadores de água nas ruas, os vizinhos barulhentos, os vendedores de rua, os fiscais camarários corruptos … teriam os dias contados! Raciocínio absurdo? Talvez não! Há uma coisa parecida, neste mundo moderno, a figura do MAYOR! Alguém conhece a história do 112º Mayor de NY City Rudoph W. Guiliani (1194 2001) ? …Este chegou a NY City e pôs a casa em ordem. Onde circulavam traficantes e ladrões, passou a ser local de lazer e descontracção diária de famílias nova-iorquinas. Isso aconteceu há menos de dez anos. Absurdo? Nem pouco mais ou menos ! Aprendamos com os bons exemplos, deixemos de lado o comodismo e premiemos a cidadania ao invés da delinquência .

Péricles Barros
(Cidadão )

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

CABO VERDE PRECISA SIM, DE UMA NOVA GERAÇÃO DE POLÍTICOS


( A propósito do nosso meio ambiente moribundo
.. e da nossa incapacidade em aprender com os bons exemplos )

Parte II/IV


Por momentos, ao ouvir uma passagem da crónica do dia do Daniel Medina do dia 28 de Setembro do corrente senti um frio na espinha. Este meu amigo de longa data, cronista de fino recorte intelectual, e hábil comunicador, falava da mãe natureza e de como ela é ( des) tratada, por este mundo fora e em Cabo Verde particular. Dizia o cronista, que apesar do facto de Cabo Verde dispôr de quadros formados em diferentes países mundo onde as questões sobre o ambiente e a natureza têm tratamento privilegiado e correcto enquadramento institucional e legal, aqui na nossa “casa” as coisas vão ao sabor dos ventos; o temperatura da minha espinha aumentou um pouco quando ele fez referencia ,de forma clara, ao responsabilidade que impende sobre os decisores neste particular; na realidade Cabo Verde está onde não devia estar, não pela qualidade da massa cinzenta, capacidade técnica e operacional dos seus quadros, mas sim à qualidade dos instrumentos e ferramentas de que dispõem , e sobretudo da imperícia de quem os dirige; de que vale ter um bom carro e excelentes peças sobressalentes, se o meu condutor, ao invés de se concentrar na estrada prefere falar para telemóvel enquanto conduz, fitando todos os fios dentais que passam nos passeios ? Resultado: no próximo cruzamento este artista pago para conduzir, enfia-se nas traseiras, não dos portadores dos ditos instrumentos de limpeza de dentes, mas sim num montão de chapa de alumínio de milímetro e meio, com uma chapa de matricula. Resultado: pagamos a multa e os estragos, compramos outro carro e contratamos um novo artista. Tem sido esta a nossa sina .

Na realidade, a nossa relação entre os cabo-verdianos e o seu meio ambiente, assim como a decorrente convivência com a mãe natureza em toda a sua extensão resultam directa ou indirectamente do desempenho e da destreza de quem decide e governa. Tenho dificuldades em aceitar o veredicto de que se deve cobrar em pé de igualdade a todos os actores da sociedade indiscriminadamente pelos custos das doenças induzidas ao nosso frágil meio ambiente envolvente e o seu continuo agravamento; isso não passa de uma manobra falaciosa e encapuçada para desviar atenção dos cidadãos do essencial; assim desresponsabilizando quem em primeira linha deve ser chamado a capitulo. Quando o criminoso não tem nome nem rosto, então não há arguido, e ,… como se costuma dizer morte de pov nê´sintide; É muito fácil dizer que o cidadão cabo-verdiano não tem sensibilidade ambiental, e que todos somos responsáveis e quejandos; ora antes de mais concentremos naqueles que tem o dever de, em primeira-mão, estabelecer as condições institucionais, legais, politicas, administrativas, orçamentais, organizacionais, educacionais para que mudanças efectivas de comportamento se operem a nível dos cidadãos. Falamos de quem tem a responsabilidade de fazer as leis e exigir o seu cumprimento; Uma casa bem ordenada não gera necessariamente filhos bem-educados; porem uma casa mal alimentada , onde não se cumprem as normas, onde não há rigor nem disciplina, só pode gerar descendentes defeituosos; Nestas condições se os filhos se transformarem em marginais deve-se assacar as primeiras responsabilidades aos progenitores . Ora não podemos dizer que é este o retrato real de Cabo Verde, no que respeita as questões ambientais; porém seguramente não estaremos longe da verdade, se dissermos que faz-se tábua rasa a muitos dispositivos legais importantes e estruturantes em Cabo Verde, em abono de outros interesses; que não rigor , que falta fiscalização. Isto é grave, extremamente grave; quanto mais não seja quando vem de da parte de quem devia dar o exemplo ; Decisores de má qualidade só podem criar equipes de qualidade inferior e dar produtos de terceira categoria. Relativamente às questões ambientais, e à segurança de pessoas e bens, não devia haver equívocos em Cabo Verde; não podemos permitir este luxo; o que muita gente não gosta de ouvir , é que Cabo Verde não tem tido sorte com seus titulares de pastas ligadas ao ambiente e afins ; que os PANA (Planos de Acção Nacional para o Ambiente ) embora sendo documentos orientadores exemplares, não tem a tradução em termos de eficácia e pragmatismo que se deseja; é só dar um saidinha nos arredores da cidade da Praia para se constatar que a poluição aumenta aceleradamente; o mar tem cada vez menos peixe, e mais pneus, garrafas , bolsas de plástico , latas, tubos ferro velho etc ..( isso, nas costas de Santigo que eu julgo conhecer melhor que as outras ) . Temos politica ambiental ? Creio que sim, mas na realidade não sei para que serve ?? Francamente não sei. Para que serve o II Plano de Acção Nacional para o Ambiente (PANA II), Cabo Verde 2004 2014: orçado em 124.000,498 ECVS , se a nível dos municípios, não dispomos gente qualificada para implementar os PAM? ( Plano Ambiental Municipal) Para que serve um programa constantemente interrompido por falta de transferência atempada de recursos financeiros ? Resposta: conto para Inglês ver , fazer dormir uma manada de asnos e alguns crioulos menos atentos. Por estas e outras, Cabo Verde precisa, sobretudo de uma nova geração de gestores da coisa pública.


Péricles Barros
(Eng Hidrólogo)

(cidadão)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

CABO VERDE PRECISA SIM, DE UMA NOVA GERAÇÃO DE POLÍTICOS



Aos meus amigos Jorge e Simão pelas as nossas gostosas

tertúlias onde arejamos as asas, sempre com muita

vontade de descolar…e talvez voar



A conversa gerou-se à volta, do que é ou não considerado mais valia ou retrocesso/ para sociedade pelo facto de se optar pela democracia pluripartidária; é mais do que evidente que o espírito precisa ser alimentado com o sentimento de se sentir livre e não ser perseguido pela livre expressão das ideias. Este estado de alma é um ganho, não tem preço, é insubstituível. Porém, convenhamos, que a democracia pode não responder a certas necessidades básicas, que assistem a todos os homens; por vezes acontece mesmo contrário. Será que a democracia que nós vivenciamos não tem favorecido a boa utilização dos parcos meios humanos, materiais e financeiros disponíveis para a construção da felicidade e qualidade de vida do cidadão cabo-verdiano? Uma questão tão delicada quanto controversa. Referimo-nos a este homem cabo-verdiano, igual a todos os outros deste mundo fora, nos deveres, direitos e obrigações e também nas legítimas aspirações; é este crioulo que não nasceu para ser escravo, nem mesmo das suas próprias leis; em nome democracia, bastas vezes assistimos a um arrolar atitudes arrogantes e despropositadas, por parte de quem tem legitimidade para governar, e quem tem a obrigação de exercer o contraditório; há muita acusação infundada, e uma grande dose de “malpractice” (leia-se procedimentos incorrectos, dolosos, passíveis de entrega imediata do breve por parte praticantes). Estas praticas recorrentes, reflexos de má formação pessoal, acontecem ciclicamente acompanhadas de incúria e impunidade; a alternância de poder acontece, porque assim permite a democracia politica; após o exercício do voto, o cidadão deposita o seu destino nas mãos de meia dúzia de sonhadores bem falantes muitas vezes imbuídos de boa fé; Estes, começam diligentemente a produzir muita coisa boa, de permeio vão permitindo um sem número de desmandos, desvios e topadas, sempre acompanhados de explicações super bem elaboradas; muitas vezes, bastaria um pedido de desculpa a uma exoneração compulsiva, para acalmar as águas; ora, posteriormente estes governantes cansam a paciência dos cidadãos, e estes resolvem dar a confiança ao grupo “B “; estes gostariam de ser diferentes dos antecessores mas na realidade, na essência são iguaizinhos a ele; somos levados a pensar que de politicas talvez não estejamos tão mal; quiçá estamos em presença de um deficit de qualidade de quem as implementa. As ideologias ortodoxas convencem cada vez menos gente; em Cabo Verde se os interesses se justificarem alguns políticos proeminentes podem perfeitamente em situações precisas enlearem em abraços e beijos para logo a seguir dizerem cobras e lagartos uns dos outros (estariam os leitores lembrados de uma cena parecida ocorrida muito recentemente, nesta nossa sopa de politica entre dois actores de proa?) Ouvimos ultimamente algumas declarações publicas que por pouco ia fazendo crescer de novo os cabelos, estes, que há muito me abandonaram. Senão vejamos uma das decorrências directas e super perniciosas da nossa democracia: quando há mudanças na chefia do país, começa-se de imediato a pôr em causa tudo de vulto que os antecessores fizeram, com o dinheiro de todos nós, para pouco depois, sorrateira e safadamente, caírem na real e começarem a reconstruir tudo de novo (quase…) à imagem da praxis da outra senhora; tudo isto acontece debaixo das nossas ventas de cinco em cinco anos; entretanto se o humilde e iletrado cidadão, por força das evidências disser que os seus parcos recursos estão sendo gastos de forma incorrecta, e que a democracia tal qual lhe é presenteada não serve cabalmente os seus propósitos, ou que aquela tem buracos do tamanho da ignorância e da irresponsabilidade de quem estiver a governar, ou a fazer oposição … então será um, deus nos acuda: “a política não foi feita para qualquer labrego entender”. E vem o escárnio, o desprezo ou a crucificação na praça pública, por parte de quem pensa que, para ser médico, basta entender de Medicina ou ter um canudo.


Péricles Barros
(Cidadão) Praia , 21 de Setembro de 2009

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Olhando os outros (coincidencia gostosa...)


Por Paulo Coelho

Gilberto de Nucci tem uma excelente imagem a respeito de nosso comportamento.
Segundo ele, os homens caminham pela face da Terra em fila indiana, cada um carregando uma sacola na frente e outra atrás.
Na sacola da frente, nós colocamos as nossas qualidades. Na sacola de trás, guardamos todos os nossos defeitos.
Por isso, durante a jornada pela vida, mantemos os olhos fixos nas virtudes que possuímos, presas em nosso peito.
Ao mesmo tempo, reparamos impiedosamente, nas costas do companheiro que está adiante, todos os defeitos que ele possui.
E nos julgamos melhores que ele – sem perceber que a pessoa andando atrás de nós, está pensando a mesma coisa a nosso respeito.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Um olhar para nós mesmos ? Que ideia?



Parte II

Um jogo permanente de “ DAM, UM DABU, LONGAN LONGAU , BULIM BULIU, SIRIDJAN SIRIDJAU “. Enfim um jogo de cartas marcadas aplicável a todos os níveis infelizmente; conforta-nos os exemplos nobres da historia da humanidade, dotados de mais qualidades raras que nos mostraram que o caminho, é fazer da nossa prática aquilo que recomendamos aos outros. Aqueles continuarão a iluminar o nosso caminho e a ensinar-nos com o seu silencio; bem-haja que assim seja; hoje, falaremos dos comuns mortais como nós, que infelizmente constituem a maioria. Para quê olhar para nós mesmos, se outros o fazem por nós; para quê complicar a vida mais do que já está; temos mais que fazer . O que importa é ganhar o pão de cada dia, lutar ao lado ou contra aqueles que fazem a mesma coisa que fazemos no quotidiano, isto é: sobreviver, não facilitar, defender-nos da peçonha da concorrência, e da má-língua do povo. Dizia o outro : “o diabo, é que há uma fila infindável de filhos de parida nos observando enquanto nos entretemos a localizar, as pregas, as verrugas e os piolhos nos animais dos outros; ora aí é que está o “ PRABULÉMA”!: Será que me viram ontem quando distraidamente meti o dedo no nariz e fiz aquela bolinha? Se calhar vou ter de me cuidar um pouco mais . Concorrência? Quem gosta da concorrência? Não são os operadores e comerciantes que estão no mercado; se eles pudessem eliminariam “anteontem “ todas as empresas que hoje tentam reduzir o seu lucro . Clientes ? Os meus clientes são aqueles que me pagam; Os restantes, nem os quer ver e ponto final. Interessa-me sobremaneira aumentar os meus dividendos. Credores? Ora, devo, não nego, pagar... quando puder!; Morrer? que morra o meu pai que é mais velho; Na realidade se eu tenho estado a observar os outros, quiçá estes por seu turno devem estar a fazer a mesma a meu respeito. O que é que eles não terão visto nos últimos tempos a meu respeito e que eu nem dei conta? Ter-me-ia distraído uma ou outra vez, ou abusado da paciência e do tempo de alguém? Epá !!. Isto é de facto preocupante! Não vou entrar em pânico, há muita boa gente que já perdeu o juízo por menos que isso. Paranóia das perseguições? Nem pouco mais ou menos; Agora percebo a cara do vendedor de tecidos quando o cliente fez-lhe desmontar todas as prateleiras, para não comprar patavina, para depois displicentemente dirigir-se para porta e abandonar a loja sem dizer obrigado ; este logo a seguir volta-se e de rompante interpela o balconista: “ Ei oiça lá … filha da puta não! A resposta foi pronta :”mas meu amigo, eu não disse nada! .. Não disseste mas pensaste! Moral da história : Se eu parar e me observar de fora para dentro jogarei na antecipação, e retirarei aos outros o prazer de me chamarem aquilo que realmente mereço; porem quem sabe se não será um excelente exercício para aprender a ser filho de gente. OLHAR PARA MIM? UMA IDEIA A EXPLORAR.


terça-feira, 15 de setembro de 2009

Um olhar para nós mesmos ? Que Ideia ?





Parte I

Se reparamos bem, uma grande parte do nosso tempo e energia é dispensada a observar, registar, analisar e fazer juízos de valor sobre aquilo que os outros fazem ou deixam de fazer. Este exercício tem o valor que tem, e é em certa medida inebriante, divertida, e custa pouco; esta postura joga contra a atenção mínima e preciosa que deviamos dedicar a nós mesmos assim como à forma como levamos a nossa vida, nos cuidamos e nos comportamos . Não me refiro ao olhar que dirigimos ao espelho para ver se o nó gravata está conforme; até mesmo este olhar para o espelho é dirigido aos outros, pois estamos mais preocupados com os reparos que os outros possam fazer sobre a possível simetria ou displicência que nó revela ; muitas vezes nem reparamos que a gravata está na boca do estômago; na saga de cair nas boas graças da sociedade ou fazer pouco do cão dos outros, esquecemo-nos muitas vezes que há uma onça que nós alimentamos todos os dias à espera do momento exacto para nos devorar ; os outros são vistos como massa de moldar, para depois ser idolatrado ou simplesmente destruído literalmente conforme as conveniências do momento. Por via de regra, como manda a inteligência universal não se desperdiçam munições desnecessáriamente ; guardam-se alguns obuses quer para os momentos de apuro, quer para quando forem mais eficazes; às vezes estas munições tomam a forma de flores cuidadosamente tratadas para adornar o chão dos venerados em troca de preciosos favores ; porem quando os outros não chegam ao limite das nossas expectativas, pura e simplesmente substituímo-los, ou pelo menos tentamos aniquilá-los literalmente. O diabo é que isto não acontece com a regularidade que desejávamos; porque os demais tem as suas defesas próprias e estarão eles, como é natural, a fazer o mesmíssimo exercício em relação a nós. Isto é, identificando as nossas fragilidades, a qualidade dos nossos arpoes, os nossos deslizes e distracções, ao cabo e ao resto jogando connosco.
PeryBarros

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Alguém disse ... e eu não podia concordar mais

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabarolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando os seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas

Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou:"as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos".O meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos. Quero a essência, a minha alma tem pressa...

alguem disse ...



Interessante não é ?? Bom, fim de semana para todos

As chuvas e o futuro da Cidade da Praia

Os técnicos de climatologia, meteorologia, hidrologia de superfície e afins laboram num ambiente onde são frequentes as extrapolações, análises probabilísticas, tendências e previsões relativamente às quais as estatísticas e a qualidade das informações de terreno são cruciais para um trabalho sério e credível. Daí resultam conclusões que servem de base para decisões técnicas e posteriormente políticas que envolvem riscos calculados. Contudo, nestas áreas as decisões devem ser tomadas em tempo útil, sem rebuços nem hesitações, pois, ao cabo e ao resto bolem com o bem-estar e a própria vida de populações inteiras. A memória do povo é curta, excepto quando se trata de tragédias de grandes dimensões. Em Cabo Verde, os limites de absorção de consequências de catástrofes são muito reduzidos.
Este intróito visa tão somente dar o devido enquadramento à matéria sobre a qual versaremos hoje de forma breve, prometendo dar informações mais detalhadas numa próxima oportunidade. A nossa cidade vem dando sinais visíveis de fragilidade e cedência, para não dizer rotura, relativamente aos efeitos das precipitações ao longo dos últimos anos. A cidade conhece situações de autêntico sufoco e rompe-se em vários cantos quando chove. Hoje em dia, a magnitude e a frequência destes fenómenos devem ser consideradas inadmissíveis face à capacidade técnica de que os responsáveis deste país dizem orgulhar-se. Aliás, o que é considerado excepção em outras paragens, tornou-se corriqueiro e habitual e aparentemente aceitável na Praia Maria. Esta urbe vem servindo pontualmente de reservatório da água nauseabunda e lodosa, por vezes trespassando as casas dos cidadãos, percorrendo as dependências onde dormem os menos afortunados, criando berçários de mosquitos elementos patogénicos de toda a ordem provocando as conhecidas e indesejáveis enfermidades como a malária, as diarreias e afins. Esta água deveria deslizar de forma controlada até encontrar o seu caminho para o mar, salvo casos excepcionais como acontece um pouco por este mundo fora… O triste é que os munícipes parecem ter perdido a capacidade de se indignarem. Estas disfunções acontecem nas barbas dos decisores que se entretêm a descarregar as culpas sobre os engenheiros das estradas, presidentes das câmaras, lixo, governos e, mais grave ainda, os pagadores de impostos pelas razões das mais absurdas. Senão, vejamos alguns pontos para reflexão:

1. Os meus caros leitores já viram a imagem da cidade após as chuvas? Viram algo novo? A situação agravou-se? , lamaçais horríveis; crianças a chafurdarem em pântanos imundos como é o caso ou o caos da Várzea da Companhia, (ouviram as velhas explicações e justificações e não ficaram, como eu, chocados? A Várzea já se confortou com a nojeira anual da lama, o desconforto dos mosquitos e das vítimas da malária, e as autoridades já se acomodaram adoptando a postura do “dexa bai” ... Como é possível?

2. Todos os anos assiste-se a uma torrente de água e de solo que desenfreadamente desemboca na praia negra, (adveniente de uma das maiores bacias de Santiago - a bacia de Trindade) sobre a qual os cidadãos derramam os seus lamentos em coro de À nha guenti , anôs sem água e água ta bai pa mar tud anu. Alguém já ouviu falar no projecto da barragem de Trindade?
3. Uma curta visita aos bairros da Bela Vista, ou às ribeiras que ladeiam a Terra ranca, Safende, Vila Nova, Lem Ferreira, Paiol, Calabaceira, Casa Lata, enfim, toda a periferia da nossa capital após meia hora de chuva rija e qualquer leigo dirá: Deus ta libra,. si tchôbi destemperadamente ali ta houvi li.. morti
4. Cada vez mais gente vem do interior de Santiago e de outras ilhas e se instala nas circunvizinhanças da Cidade Capital, sem controlo, e não há ninguém que lhes diga; PAREM AGORA! …as vossas casas na linha de água irão engrossar as toneladas de escombros que um dia poderão cair em cima de todo mundo que já está instalado a jusante …
5. Chove mais hoje do que ontem? Não sei. Talvez! Posso garantir que a intensidade das últimas precipitações, como foram os ultimos eventos pluviométricos , revelaram-se deveras anormais e dá lugar ao que em linguagem técnica se chama FLASH FLOODS (cheias repentinas), com uma capacidade erosiva altamente preocupante. Até quando as casas de coitados irão segurar o desgaste dos alicerces que muitas vezes não existem … dá um frio na espinha???
6. De que meios dispõem os nossos valentes militantes dos serviços de Protecção Civil para salvar pessoas (falo de pessoas em perigo …) apanhadas por uma numa ribeira a correr com um caudal de trinta toneladas de água por segundo, com um cocktail de lixo, entulhos, pedaços de betão, pedras e lodo, etc ??… até parece este cenário resulta de uma imaginação ultra fértil; entretanto é mais do que evidente que os ingredientes estão todos presentes, falta um pouco mais de chuva e menos sorte. Deus nos livre! … em outras paragens esta possibilidade tornou-se numa realidade aterradora .
7. Será verdade que com a mesma quantidade de chuva a cada ano que passa teremos cada vez mais água disponível a correr nas nossas ruas a uma velocidade cada vez maior devido à impermeabilização das superfícies, das construções das estradas, etc. Isto agrava sobremaneira a situação.
8. Ficamos à espera para no futuro eventualmente provarmos errados os arautos do mau agoiro ou agimos na prevenção e na previsão hoje?
9. Será que há gente com formação preocupada e a estudar algumas soluções possíveis para o caso da Praia? Propostas chegaram a quem de direito? Quando? Será isso suficiente?
10. Será que está na forja um perigo potencial sem precedentes à volta da cidade da Praia e muita gente não dá conta?


Péricles Africano Lima Barros
( Engenheiro Hidrólogo )

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Manel de Garda , sê escure sê pitrol e Electra


Manel de Garda , sê escure sê pitrol e Electra
Cada qual ta usá compustiva quel ta marecê.Se modernidade já dgá na bô barraca , na dminha , inda el tâ longe, i el tita bem a pé; margura de vida é que teme assim….. sontmé, e Angola e tistmunha ; jám foi gente, jám tive conquem .Um tchá uns fidge pra lá . Grinhassim jás devê ter tide um promoção, â avo , a defunte ô a gongon,. Haja váres tipe de pitrol: pâ , cafuca , pa trá bóca de morte e pâ esfrega e curá dor purdente. Mi nhas dor vrá tude purdente, que mede de escure. Lá dente tambe ê escure má catem cassu bodi. Se um dzê, bsôte carditá : dôr purdente, escure purdente, escure por fora , dvide a um cosa quês inventá i que ês tcmá … ELECTRA, qual!!! ê más um … PALHACETRA ô ESCURECTRA, (cuidode bo ca deze URECTRA) , móda casa de tcheu criatura na Praia Maria, …. ( bocês ê que sabê ... bocês ê que inventál …. Agora boces ca titã pode matál; moda um gaje cunchide na Praia táva dez : Subiu ? agora dessobe !Basta, nha camada sempre um tive companhóde de EBB…
EBB = Esquecimente , Bandono e Basbequice Ebuse , Bsofaria , Bandidagem Ultmamente el transforma na :EBB: ESCURE , BREU E BROQUE na rua pâ estortegá calcanhada de cada qual. Um bom porrâ. ( purtante, TMÁ….. já nô conchê cag… e tude gente tem que sisti na lorgue …) Mi ê que sabê de nha vida : qual Electra! Mi sô um uvi fala . Pa mi è PITROLETRA,…. um cafuca fete de folha de de ilume, um padóce de turcida e meie quart de pitrol … isto é .. isto é .. cónde um câ ta ftchá TV ... pâ pode bá bri ôte cosa … ( omê ! mi nem televisão um catem.. è só força de expressão … conde nha vzin, ta estóde sem luz , (manentemente) , e el câ ta pode bri nôs TV de pov .. um ta racolhê na nhas posente , um bá chujá u quês jás tinha lavóde , produzi nhas filmim e cónsteassim, (shêt) , as vês ta bem mnene !! . Jám ta cus dóse … esperá: na Angola e sontmê fcá contê? Jám perde conta ?.. largám da mon. Uvi , ès tava quase ta pasáme um gueldrópe na pescoçe, lá pa Cabinda; estóriada de ná nome na mnene … un vgi um bem curti escure na nha terra; ei calma ,.. um bem de rapente má lá mi era colone .. um tinha tchon , de café mandioca i tude ligume que deus po na munde; mi mi não ê! …tmáme pa cander i bô ta durmi na escure ,…. Durmi na escure? Grandes nuvidade .. na escure bo ta diasá na munde …Oiá .. em vez de criá galinha vrá ta criá cruja … pal o menos bo ta tem cumpanher , e bo ca tâ bsá tchbósque de animal, conde bo finji bá bsiá se foi se quadre de luz que desligá …MI , sô um pitrolim tâ tchgám bodi … Es tita pagóbe , n´éra ?

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

ARCO FEIRA: MISÁ, CESAR SCHOFIELD,





(Extracto..)


...."Na verdade a diferença entre uma pincelada feita no Tibete e outra feita em Formiguinhas da ilha de Sto. Antão, reside, exclusivamente, na cor da alma do autor.
A alma do artista cabo-verdiano é tão dispersa, leve, delicada, agressiva e tenaz como o relevo das dez ilhas que compõe o seu chão.
O seu caule cresceu regado, não pelas chuvas, mas sim pelo mar. E foi estrumado com o suor, as lágrimas, o sorriso, e a imaginação das suas gentes, cidadãs do mundo.

ser , estar... oje

EXPERIMENTA SAIR DO REBANHO DOS COMUNS MORTAIS COM O QUAL TENS VIAJADO ATÉ ESTA … AFASTA-TE O SUFICIENTE PARA VERES A IMAGEM QUE DEIXASTE PARA TRAS: SE TE RECONHECERES ,É PORQUE NUNCA PERTENCESTE AO GRUPO, E SE ISSO NÃO ACONTECER PROVÁVELMENTE ÉS IGUAL A TODOS AQUELES QUE TU DETESTAS.

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