JUÍZOS E PENSAMENTOS INCÓMODOS
Fazer e estar na política: Perguntas simples, e incómodas, para
respostas difíceis
Numa das minhas tertúlias gostosas com cidadãos
comuns, descomprometidos mas sobretudo atentos, sobre fazer e estar na política,
partidos, parlamento, governos, oposições, poder e quejandos, alguém
questionou: Cabo-verdianos, politica é luta para o poder entre partidos,
constitucionalmente consagrado com programas de governação diferentes, onde
todos dizem querer o bem da sociedade em
geral e de todos pecadores em particular quer vivos, quer por nascer certo?
Se elogios feitos sobre a governação de um partido no poder, (sendo verdade e
evidente...) é bom e recomenda-se, e por inerência bom para o povo e “menos bom”
para quem está na oposição e quer destronar o poder e governar, fizer sentido…
Será que é bom para a construção de boas soluções para o país e para a democracia,
que as oposições enumerem por regra, só o que há de criticável na governação,
pensando que está a contribuir para melhorar a governação? Não será este um
direito inalienável que assiste a toda a oposição em democracia?
Será que, se a oposição louvar publicamente as coisas boas feitas pela
situação a bem do povo, é ser POLITICAMENTE “BACAN”? Se esta oposição aplaudir e criticar o poder na justa medida,
não estará a mandar uma mensagem subliminar à sociedade, do estilo: tornem a votar nos meus adversários pois só
quem não erra é quem não faz? Alguma oposição pretenderá chegar ao poder
com atitude cidadãs, nobres, responsáveis e coerentes desta estirpe? Serão o
silêncio conveniente e ou a má-língua ingredientes indispensáveis na
democracia? A luta pelo poder e a nobreza de atitudes são incompatíveis? Há
estratégias escondidas, escusas, malandras, para chegar ao poder? Se as há, por
serem torpes, pouco sérias, sórdidas e mais que evidentes no nosso contexto, os
respetivos atores podem ser considerados confiáveis? Quem deve denunciar, a
quem e em que moldes? Que consequências? Qual o momento do poder se retirar?
Algum “poder” abdica e sai do palco de livre e espontânea vontade para que haja
a saudável alternância do poder que a democracia preconiza? Quem estiver a
governar deve permanecer lá para eternidade? Há algum registo credível desta
ocorrência? O que impede os partidos de se juntarem e se entenderem sobre as
grandes questões e desígnios e desafios crónicos nacionais e terem acordos
corajosos e patrióticos de longo prazo sobre os males crónicos, quási
insolúveis que assolam o país, a saber, o desemprego, a luta contra a pobreza, a
educação, a saúde, a segurança, o ambiente, o abastecimento de água, o saneamento
etc., etc.? Cobardia e ou oportunismo coletivo? malandragem politica
generalizada? Agnosia conveniente? A nossa tão adulada e idolatrada democracia
tem solução para estas disfunções? Toda a alternância na governação tem de
recomeçar tudo quase da estaca zero, caso contrário é considerado cábula, sem imaginação,
e copiador de soluções da outra senhora? Alguém contesta? A fogueira dos
recursos públicos, o culto do secular desperdício, do esbanjamento, da incúria
e da impunidade na história da gestão da coisa pública.cv devem ser alimentados e fortalecidos em cada ciclo
politico num país paupérrimo como o nosso? Escravos do voto? Os partidos transformam-se
numa espécie de seitas; todo o mundo
vigiado,.. “ cuidado com aquele gajo...
está a escorregar, cara perigoso... bom, djam flaba nhos! Miséria mental. Será que existe país
exemplo onde o sucesso é produto de uma outra forma de convivência inter
partidos na política? Será isso uma quimera? Se alguma coisa vai mal neste
carnaval da política.cv das últimas décadas e se as perguntas feitas, por mais
incómodas que sejam, são legítimas e oportunas, perguntamos: Quem é qui debi pô ordi ness quartel di
politiquerus di merda? quem é culpado?
quem quê polícia? povo?
Prisidenti da República? Cadê? Dimocracia? ooops!!! bom, si cadjar , nôs democracia mesti entra na estaleiro pamodi , cascu mesti di reparação e sta ta meti água...
purguntas simplis pa raspostas dficel”
Péricles
Barros (Cidadão)
Praia,
6 Julho de 2021
