quarta-feira, 30 de setembro de 2009

CABO VERDE PRECISA SIM, DE UMA NOVA GERAÇÃO DE POLÍTICOS


( A propósito do nosso meio ambiente moribundo
.. e da nossa incapacidade em aprender com os bons exemplos )

Parte II/IV


Por momentos, ao ouvir uma passagem da crónica do dia do Daniel Medina do dia 28 de Setembro do corrente senti um frio na espinha. Este meu amigo de longa data, cronista de fino recorte intelectual, e hábil comunicador, falava da mãe natureza e de como ela é ( des) tratada, por este mundo fora e em Cabo Verde particular. Dizia o cronista, que apesar do facto de Cabo Verde dispôr de quadros formados em diferentes países mundo onde as questões sobre o ambiente e a natureza têm tratamento privilegiado e correcto enquadramento institucional e legal, aqui na nossa “casa” as coisas vão ao sabor dos ventos; o temperatura da minha espinha aumentou um pouco quando ele fez referencia ,de forma clara, ao responsabilidade que impende sobre os decisores neste particular; na realidade Cabo Verde está onde não devia estar, não pela qualidade da massa cinzenta, capacidade técnica e operacional dos seus quadros, mas sim à qualidade dos instrumentos e ferramentas de que dispõem , e sobretudo da imperícia de quem os dirige; de que vale ter um bom carro e excelentes peças sobressalentes, se o meu condutor, ao invés de se concentrar na estrada prefere falar para telemóvel enquanto conduz, fitando todos os fios dentais que passam nos passeios ? Resultado: no próximo cruzamento este artista pago para conduzir, enfia-se nas traseiras, não dos portadores dos ditos instrumentos de limpeza de dentes, mas sim num montão de chapa de alumínio de milímetro e meio, com uma chapa de matricula. Resultado: pagamos a multa e os estragos, compramos outro carro e contratamos um novo artista. Tem sido esta a nossa sina .

Na realidade, a nossa relação entre os cabo-verdianos e o seu meio ambiente, assim como a decorrente convivência com a mãe natureza em toda a sua extensão resultam directa ou indirectamente do desempenho e da destreza de quem decide e governa. Tenho dificuldades em aceitar o veredicto de que se deve cobrar em pé de igualdade a todos os actores da sociedade indiscriminadamente pelos custos das doenças induzidas ao nosso frágil meio ambiente envolvente e o seu continuo agravamento; isso não passa de uma manobra falaciosa e encapuçada para desviar atenção dos cidadãos do essencial; assim desresponsabilizando quem em primeira linha deve ser chamado a capitulo. Quando o criminoso não tem nome nem rosto, então não há arguido, e ,… como se costuma dizer morte de pov nê´sintide; É muito fácil dizer que o cidadão cabo-verdiano não tem sensibilidade ambiental, e que todos somos responsáveis e quejandos; ora antes de mais concentremos naqueles que tem o dever de, em primeira-mão, estabelecer as condições institucionais, legais, politicas, administrativas, orçamentais, organizacionais, educacionais para que mudanças efectivas de comportamento se operem a nível dos cidadãos. Falamos de quem tem a responsabilidade de fazer as leis e exigir o seu cumprimento; Uma casa bem ordenada não gera necessariamente filhos bem-educados; porem uma casa mal alimentada , onde não se cumprem as normas, onde não há rigor nem disciplina, só pode gerar descendentes defeituosos; Nestas condições se os filhos se transformarem em marginais deve-se assacar as primeiras responsabilidades aos progenitores . Ora não podemos dizer que é este o retrato real de Cabo Verde, no que respeita as questões ambientais; porém seguramente não estaremos longe da verdade, se dissermos que faz-se tábua rasa a muitos dispositivos legais importantes e estruturantes em Cabo Verde, em abono de outros interesses; que não rigor , que falta fiscalização. Isto é grave, extremamente grave; quanto mais não seja quando vem de da parte de quem devia dar o exemplo ; Decisores de má qualidade só podem criar equipes de qualidade inferior e dar produtos de terceira categoria. Relativamente às questões ambientais, e à segurança de pessoas e bens, não devia haver equívocos em Cabo Verde; não podemos permitir este luxo; o que muita gente não gosta de ouvir , é que Cabo Verde não tem tido sorte com seus titulares de pastas ligadas ao ambiente e afins ; que os PANA (Planos de Acção Nacional para o Ambiente ) embora sendo documentos orientadores exemplares, não tem a tradução em termos de eficácia e pragmatismo que se deseja; é só dar um saidinha nos arredores da cidade da Praia para se constatar que a poluição aumenta aceleradamente; o mar tem cada vez menos peixe, e mais pneus, garrafas , bolsas de plástico , latas, tubos ferro velho etc ..( isso, nas costas de Santigo que eu julgo conhecer melhor que as outras ) . Temos politica ambiental ? Creio que sim, mas na realidade não sei para que serve ?? Francamente não sei. Para que serve o II Plano de Acção Nacional para o Ambiente (PANA II), Cabo Verde 2004 2014: orçado em 124.000,498 ECVS , se a nível dos municípios, não dispomos gente qualificada para implementar os PAM? ( Plano Ambiental Municipal) Para que serve um programa constantemente interrompido por falta de transferência atempada de recursos financeiros ? Resposta: conto para Inglês ver , fazer dormir uma manada de asnos e alguns crioulos menos atentos. Por estas e outras, Cabo Verde precisa, sobretudo de uma nova geração de gestores da coisa pública.


Péricles Barros
(Eng Hidrólogo)

(cidadão)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

CABO VERDE PRECISA SIM, DE UMA NOVA GERAÇÃO DE POLÍTICOS



Aos meus amigos Jorge e Simão pelas as nossas gostosas

tertúlias onde arejamos as asas, sempre com muita

vontade de descolar…e talvez voar



A conversa gerou-se à volta, do que é ou não considerado mais valia ou retrocesso/ para sociedade pelo facto de se optar pela democracia pluripartidária; é mais do que evidente que o espírito precisa ser alimentado com o sentimento de se sentir livre e não ser perseguido pela livre expressão das ideias. Este estado de alma é um ganho, não tem preço, é insubstituível. Porém, convenhamos, que a democracia pode não responder a certas necessidades básicas, que assistem a todos os homens; por vezes acontece mesmo contrário. Será que a democracia que nós vivenciamos não tem favorecido a boa utilização dos parcos meios humanos, materiais e financeiros disponíveis para a construção da felicidade e qualidade de vida do cidadão cabo-verdiano? Uma questão tão delicada quanto controversa. Referimo-nos a este homem cabo-verdiano, igual a todos os outros deste mundo fora, nos deveres, direitos e obrigações e também nas legítimas aspirações; é este crioulo que não nasceu para ser escravo, nem mesmo das suas próprias leis; em nome democracia, bastas vezes assistimos a um arrolar atitudes arrogantes e despropositadas, por parte de quem tem legitimidade para governar, e quem tem a obrigação de exercer o contraditório; há muita acusação infundada, e uma grande dose de “malpractice” (leia-se procedimentos incorrectos, dolosos, passíveis de entrega imediata do breve por parte praticantes). Estas praticas recorrentes, reflexos de má formação pessoal, acontecem ciclicamente acompanhadas de incúria e impunidade; a alternância de poder acontece, porque assim permite a democracia politica; após o exercício do voto, o cidadão deposita o seu destino nas mãos de meia dúzia de sonhadores bem falantes muitas vezes imbuídos de boa fé; Estes, começam diligentemente a produzir muita coisa boa, de permeio vão permitindo um sem número de desmandos, desvios e topadas, sempre acompanhados de explicações super bem elaboradas; muitas vezes, bastaria um pedido de desculpa a uma exoneração compulsiva, para acalmar as águas; ora, posteriormente estes governantes cansam a paciência dos cidadãos, e estes resolvem dar a confiança ao grupo “B “; estes gostariam de ser diferentes dos antecessores mas na realidade, na essência são iguaizinhos a ele; somos levados a pensar que de politicas talvez não estejamos tão mal; quiçá estamos em presença de um deficit de qualidade de quem as implementa. As ideologias ortodoxas convencem cada vez menos gente; em Cabo Verde se os interesses se justificarem alguns políticos proeminentes podem perfeitamente em situações precisas enlearem em abraços e beijos para logo a seguir dizerem cobras e lagartos uns dos outros (estariam os leitores lembrados de uma cena parecida ocorrida muito recentemente, nesta nossa sopa de politica entre dois actores de proa?) Ouvimos ultimamente algumas declarações publicas que por pouco ia fazendo crescer de novo os cabelos, estes, que há muito me abandonaram. Senão vejamos uma das decorrências directas e super perniciosas da nossa democracia: quando há mudanças na chefia do país, começa-se de imediato a pôr em causa tudo de vulto que os antecessores fizeram, com o dinheiro de todos nós, para pouco depois, sorrateira e safadamente, caírem na real e começarem a reconstruir tudo de novo (quase…) à imagem da praxis da outra senhora; tudo isto acontece debaixo das nossas ventas de cinco em cinco anos; entretanto se o humilde e iletrado cidadão, por força das evidências disser que os seus parcos recursos estão sendo gastos de forma incorrecta, e que a democracia tal qual lhe é presenteada não serve cabalmente os seus propósitos, ou que aquela tem buracos do tamanho da ignorância e da irresponsabilidade de quem estiver a governar, ou a fazer oposição … então será um, deus nos acuda: “a política não foi feita para qualquer labrego entender”. E vem o escárnio, o desprezo ou a crucificação na praça pública, por parte de quem pensa que, para ser médico, basta entender de Medicina ou ter um canudo.


Péricles Barros
(Cidadão) Praia , 21 de Setembro de 2009

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Olhando os outros (coincidencia gostosa...)


Por Paulo Coelho

Gilberto de Nucci tem uma excelente imagem a respeito de nosso comportamento.
Segundo ele, os homens caminham pela face da Terra em fila indiana, cada um carregando uma sacola na frente e outra atrás.
Na sacola da frente, nós colocamos as nossas qualidades. Na sacola de trás, guardamos todos os nossos defeitos.
Por isso, durante a jornada pela vida, mantemos os olhos fixos nas virtudes que possuímos, presas em nosso peito.
Ao mesmo tempo, reparamos impiedosamente, nas costas do companheiro que está adiante, todos os defeitos que ele possui.
E nos julgamos melhores que ele – sem perceber que a pessoa andando atrás de nós, está pensando a mesma coisa a nosso respeito.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Um olhar para nós mesmos ? Que ideia?



Parte II

Um jogo permanente de “ DAM, UM DABU, LONGAN LONGAU , BULIM BULIU, SIRIDJAN SIRIDJAU “. Enfim um jogo de cartas marcadas aplicável a todos os níveis infelizmente; conforta-nos os exemplos nobres da historia da humanidade, dotados de mais qualidades raras que nos mostraram que o caminho, é fazer da nossa prática aquilo que recomendamos aos outros. Aqueles continuarão a iluminar o nosso caminho e a ensinar-nos com o seu silencio; bem-haja que assim seja; hoje, falaremos dos comuns mortais como nós, que infelizmente constituem a maioria. Para quê olhar para nós mesmos, se outros o fazem por nós; para quê complicar a vida mais do que já está; temos mais que fazer . O que importa é ganhar o pão de cada dia, lutar ao lado ou contra aqueles que fazem a mesma coisa que fazemos no quotidiano, isto é: sobreviver, não facilitar, defender-nos da peçonha da concorrência, e da má-língua do povo. Dizia o outro : “o diabo, é que há uma fila infindável de filhos de parida nos observando enquanto nos entretemos a localizar, as pregas, as verrugas e os piolhos nos animais dos outros; ora aí é que está o “ PRABULÉMA”!: Será que me viram ontem quando distraidamente meti o dedo no nariz e fiz aquela bolinha? Se calhar vou ter de me cuidar um pouco mais . Concorrência? Quem gosta da concorrência? Não são os operadores e comerciantes que estão no mercado; se eles pudessem eliminariam “anteontem “ todas as empresas que hoje tentam reduzir o seu lucro . Clientes ? Os meus clientes são aqueles que me pagam; Os restantes, nem os quer ver e ponto final. Interessa-me sobremaneira aumentar os meus dividendos. Credores? Ora, devo, não nego, pagar... quando puder!; Morrer? que morra o meu pai que é mais velho; Na realidade se eu tenho estado a observar os outros, quiçá estes por seu turno devem estar a fazer a mesma a meu respeito. O que é que eles não terão visto nos últimos tempos a meu respeito e que eu nem dei conta? Ter-me-ia distraído uma ou outra vez, ou abusado da paciência e do tempo de alguém? Epá !!. Isto é de facto preocupante! Não vou entrar em pânico, há muita boa gente que já perdeu o juízo por menos que isso. Paranóia das perseguições? Nem pouco mais ou menos; Agora percebo a cara do vendedor de tecidos quando o cliente fez-lhe desmontar todas as prateleiras, para não comprar patavina, para depois displicentemente dirigir-se para porta e abandonar a loja sem dizer obrigado ; este logo a seguir volta-se e de rompante interpela o balconista: “ Ei oiça lá … filha da puta não! A resposta foi pronta :”mas meu amigo, eu não disse nada! .. Não disseste mas pensaste! Moral da história : Se eu parar e me observar de fora para dentro jogarei na antecipação, e retirarei aos outros o prazer de me chamarem aquilo que realmente mereço; porem quem sabe se não será um excelente exercício para aprender a ser filho de gente. OLHAR PARA MIM? UMA IDEIA A EXPLORAR.


terça-feira, 15 de setembro de 2009

Um olhar para nós mesmos ? Que Ideia ?





Parte I

Se reparamos bem, uma grande parte do nosso tempo e energia é dispensada a observar, registar, analisar e fazer juízos de valor sobre aquilo que os outros fazem ou deixam de fazer. Este exercício tem o valor que tem, e é em certa medida inebriante, divertida, e custa pouco; esta postura joga contra a atenção mínima e preciosa que deviamos dedicar a nós mesmos assim como à forma como levamos a nossa vida, nos cuidamos e nos comportamos . Não me refiro ao olhar que dirigimos ao espelho para ver se o nó gravata está conforme; até mesmo este olhar para o espelho é dirigido aos outros, pois estamos mais preocupados com os reparos que os outros possam fazer sobre a possível simetria ou displicência que nó revela ; muitas vezes nem reparamos que a gravata está na boca do estômago; na saga de cair nas boas graças da sociedade ou fazer pouco do cão dos outros, esquecemo-nos muitas vezes que há uma onça que nós alimentamos todos os dias à espera do momento exacto para nos devorar ; os outros são vistos como massa de moldar, para depois ser idolatrado ou simplesmente destruído literalmente conforme as conveniências do momento. Por via de regra, como manda a inteligência universal não se desperdiçam munições desnecessáriamente ; guardam-se alguns obuses quer para os momentos de apuro, quer para quando forem mais eficazes; às vezes estas munições tomam a forma de flores cuidadosamente tratadas para adornar o chão dos venerados em troca de preciosos favores ; porem quando os outros não chegam ao limite das nossas expectativas, pura e simplesmente substituímo-los, ou pelo menos tentamos aniquilá-los literalmente. O diabo é que isto não acontece com a regularidade que desejávamos; porque os demais tem as suas defesas próprias e estarão eles, como é natural, a fazer o mesmíssimo exercício em relação a nós. Isto é, identificando as nossas fragilidades, a qualidade dos nossos arpoes, os nossos deslizes e distracções, ao cabo e ao resto jogando connosco.
PeryBarros

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Alguém disse ... e eu não podia concordar mais

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabarolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando os seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas

Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou:"as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos".O meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos. Quero a essência, a minha alma tem pressa...

alguem disse ...



Interessante não é ?? Bom, fim de semana para todos

As chuvas e o futuro da Cidade da Praia

Os técnicos de climatologia, meteorologia, hidrologia de superfície e afins laboram num ambiente onde são frequentes as extrapolações, análises probabilísticas, tendências e previsões relativamente às quais as estatísticas e a qualidade das informações de terreno são cruciais para um trabalho sério e credível. Daí resultam conclusões que servem de base para decisões técnicas e posteriormente políticas que envolvem riscos calculados. Contudo, nestas áreas as decisões devem ser tomadas em tempo útil, sem rebuços nem hesitações, pois, ao cabo e ao resto bolem com o bem-estar e a própria vida de populações inteiras. A memória do povo é curta, excepto quando se trata de tragédias de grandes dimensões. Em Cabo Verde, os limites de absorção de consequências de catástrofes são muito reduzidos.
Este intróito visa tão somente dar o devido enquadramento à matéria sobre a qual versaremos hoje de forma breve, prometendo dar informações mais detalhadas numa próxima oportunidade. A nossa cidade vem dando sinais visíveis de fragilidade e cedência, para não dizer rotura, relativamente aos efeitos das precipitações ao longo dos últimos anos. A cidade conhece situações de autêntico sufoco e rompe-se em vários cantos quando chove. Hoje em dia, a magnitude e a frequência destes fenómenos devem ser consideradas inadmissíveis face à capacidade técnica de que os responsáveis deste país dizem orgulhar-se. Aliás, o que é considerado excepção em outras paragens, tornou-se corriqueiro e habitual e aparentemente aceitável na Praia Maria. Esta urbe vem servindo pontualmente de reservatório da água nauseabunda e lodosa, por vezes trespassando as casas dos cidadãos, percorrendo as dependências onde dormem os menos afortunados, criando berçários de mosquitos elementos patogénicos de toda a ordem provocando as conhecidas e indesejáveis enfermidades como a malária, as diarreias e afins. Esta água deveria deslizar de forma controlada até encontrar o seu caminho para o mar, salvo casos excepcionais como acontece um pouco por este mundo fora… O triste é que os munícipes parecem ter perdido a capacidade de se indignarem. Estas disfunções acontecem nas barbas dos decisores que se entretêm a descarregar as culpas sobre os engenheiros das estradas, presidentes das câmaras, lixo, governos e, mais grave ainda, os pagadores de impostos pelas razões das mais absurdas. Senão, vejamos alguns pontos para reflexão:

1. Os meus caros leitores já viram a imagem da cidade após as chuvas? Viram algo novo? A situação agravou-se? , lamaçais horríveis; crianças a chafurdarem em pântanos imundos como é o caso ou o caos da Várzea da Companhia, (ouviram as velhas explicações e justificações e não ficaram, como eu, chocados? A Várzea já se confortou com a nojeira anual da lama, o desconforto dos mosquitos e das vítimas da malária, e as autoridades já se acomodaram adoptando a postura do “dexa bai” ... Como é possível?

2. Todos os anos assiste-se a uma torrente de água e de solo que desenfreadamente desemboca na praia negra, (adveniente de uma das maiores bacias de Santiago - a bacia de Trindade) sobre a qual os cidadãos derramam os seus lamentos em coro de À nha guenti , anôs sem água e água ta bai pa mar tud anu. Alguém já ouviu falar no projecto da barragem de Trindade?
3. Uma curta visita aos bairros da Bela Vista, ou às ribeiras que ladeiam a Terra ranca, Safende, Vila Nova, Lem Ferreira, Paiol, Calabaceira, Casa Lata, enfim, toda a periferia da nossa capital após meia hora de chuva rija e qualquer leigo dirá: Deus ta libra,. si tchôbi destemperadamente ali ta houvi li.. morti
4. Cada vez mais gente vem do interior de Santiago e de outras ilhas e se instala nas circunvizinhanças da Cidade Capital, sem controlo, e não há ninguém que lhes diga; PAREM AGORA! …as vossas casas na linha de água irão engrossar as toneladas de escombros que um dia poderão cair em cima de todo mundo que já está instalado a jusante …
5. Chove mais hoje do que ontem? Não sei. Talvez! Posso garantir que a intensidade das últimas precipitações, como foram os ultimos eventos pluviométricos , revelaram-se deveras anormais e dá lugar ao que em linguagem técnica se chama FLASH FLOODS (cheias repentinas), com uma capacidade erosiva altamente preocupante. Até quando as casas de coitados irão segurar o desgaste dos alicerces que muitas vezes não existem … dá um frio na espinha???
6. De que meios dispõem os nossos valentes militantes dos serviços de Protecção Civil para salvar pessoas (falo de pessoas em perigo …) apanhadas por uma numa ribeira a correr com um caudal de trinta toneladas de água por segundo, com um cocktail de lixo, entulhos, pedaços de betão, pedras e lodo, etc ??… até parece este cenário resulta de uma imaginação ultra fértil; entretanto é mais do que evidente que os ingredientes estão todos presentes, falta um pouco mais de chuva e menos sorte. Deus nos livre! … em outras paragens esta possibilidade tornou-se numa realidade aterradora .
7. Será verdade que com a mesma quantidade de chuva a cada ano que passa teremos cada vez mais água disponível a correr nas nossas ruas a uma velocidade cada vez maior devido à impermeabilização das superfícies, das construções das estradas, etc. Isto agrava sobremaneira a situação.
8. Ficamos à espera para no futuro eventualmente provarmos errados os arautos do mau agoiro ou agimos na prevenção e na previsão hoje?
9. Será que há gente com formação preocupada e a estudar algumas soluções possíveis para o caso da Praia? Propostas chegaram a quem de direito? Quando? Será isso suficiente?
10. Será que está na forja um perigo potencial sem precedentes à volta da cidade da Praia e muita gente não dá conta?


Péricles Africano Lima Barros
( Engenheiro Hidrólogo )

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Manel de Garda , sê escure sê pitrol e Electra


Manel de Garda , sê escure sê pitrol e Electra
Cada qual ta usá compustiva quel ta marecê.Se modernidade já dgá na bô barraca , na dminha , inda el tâ longe, i el tita bem a pé; margura de vida é que teme assim….. sontmé, e Angola e tistmunha ; jám foi gente, jám tive conquem .Um tchá uns fidge pra lá . Grinhassim jás devê ter tide um promoção, â avo , a defunte ô a gongon,. Haja váres tipe de pitrol: pâ , cafuca , pa trá bóca de morte e pâ esfrega e curá dor purdente. Mi nhas dor vrá tude purdente, que mede de escure. Lá dente tambe ê escure má catem cassu bodi. Se um dzê, bsôte carditá : dôr purdente, escure purdente, escure por fora , dvide a um cosa quês inventá i que ês tcmá … ELECTRA, qual!!! ê más um … PALHACETRA ô ESCURECTRA, (cuidode bo ca deze URECTRA) , móda casa de tcheu criatura na Praia Maria, …. ( bocês ê que sabê ... bocês ê que inventál …. Agora boces ca titã pode matál; moda um gaje cunchide na Praia táva dez : Subiu ? agora dessobe !Basta, nha camada sempre um tive companhóde de EBB…
EBB = Esquecimente , Bandono e Basbequice Ebuse , Bsofaria , Bandidagem Ultmamente el transforma na :EBB: ESCURE , BREU E BROQUE na rua pâ estortegá calcanhada de cada qual. Um bom porrâ. ( purtante, TMÁ….. já nô conchê cag… e tude gente tem que sisti na lorgue …) Mi ê que sabê de nha vida : qual Electra! Mi sô um uvi fala . Pa mi è PITROLETRA,…. um cafuca fete de folha de de ilume, um padóce de turcida e meie quart de pitrol … isto é .. isto é .. cónde um câ ta ftchá TV ... pâ pode bá bri ôte cosa … ( omê ! mi nem televisão um catem.. è só força de expressão … conde nha vzin, ta estóde sem luz , (manentemente) , e el câ ta pode bri nôs TV de pov .. um ta racolhê na nhas posente , um bá chujá u quês jás tinha lavóde , produzi nhas filmim e cónsteassim, (shêt) , as vês ta bem mnene !! . Jám ta cus dóse … esperá: na Angola e sontmê fcá contê? Jám perde conta ?.. largám da mon. Uvi , ès tava quase ta pasáme um gueldrópe na pescoçe, lá pa Cabinda; estóriada de ná nome na mnene … un vgi um bem curti escure na nha terra; ei calma ,.. um bem de rapente má lá mi era colone .. um tinha tchon , de café mandioca i tude ligume que deus po na munde; mi mi não ê! …tmáme pa cander i bô ta durmi na escure ,…. Durmi na escure? Grandes nuvidade .. na escure bo ta diasá na munde …Oiá .. em vez de criá galinha vrá ta criá cruja … pal o menos bo ta tem cumpanher , e bo ca tâ bsá tchbósque de animal, conde bo finji bá bsiá se foi se quadre de luz que desligá …MI , sô um pitrolim tâ tchgám bodi … Es tita pagóbe , n´éra ?

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