terça-feira, 22 de setembro de 2009

CABO VERDE PRECISA SIM, DE UMA NOVA GERAÇÃO DE POLÍTICOS



Aos meus amigos Jorge e Simão pelas as nossas gostosas

tertúlias onde arejamos as asas, sempre com muita

vontade de descolar…e talvez voar



A conversa gerou-se à volta, do que é ou não considerado mais valia ou retrocesso/ para sociedade pelo facto de se optar pela democracia pluripartidária; é mais do que evidente que o espírito precisa ser alimentado com o sentimento de se sentir livre e não ser perseguido pela livre expressão das ideias. Este estado de alma é um ganho, não tem preço, é insubstituível. Porém, convenhamos, que a democracia pode não responder a certas necessidades básicas, que assistem a todos os homens; por vezes acontece mesmo contrário. Será que a democracia que nós vivenciamos não tem favorecido a boa utilização dos parcos meios humanos, materiais e financeiros disponíveis para a construção da felicidade e qualidade de vida do cidadão cabo-verdiano? Uma questão tão delicada quanto controversa. Referimo-nos a este homem cabo-verdiano, igual a todos os outros deste mundo fora, nos deveres, direitos e obrigações e também nas legítimas aspirações; é este crioulo que não nasceu para ser escravo, nem mesmo das suas próprias leis; em nome democracia, bastas vezes assistimos a um arrolar atitudes arrogantes e despropositadas, por parte de quem tem legitimidade para governar, e quem tem a obrigação de exercer o contraditório; há muita acusação infundada, e uma grande dose de “malpractice” (leia-se procedimentos incorrectos, dolosos, passíveis de entrega imediata do breve por parte praticantes). Estas praticas recorrentes, reflexos de má formação pessoal, acontecem ciclicamente acompanhadas de incúria e impunidade; a alternância de poder acontece, porque assim permite a democracia politica; após o exercício do voto, o cidadão deposita o seu destino nas mãos de meia dúzia de sonhadores bem falantes muitas vezes imbuídos de boa fé; Estes, começam diligentemente a produzir muita coisa boa, de permeio vão permitindo um sem número de desmandos, desvios e topadas, sempre acompanhados de explicações super bem elaboradas; muitas vezes, bastaria um pedido de desculpa a uma exoneração compulsiva, para acalmar as águas; ora, posteriormente estes governantes cansam a paciência dos cidadãos, e estes resolvem dar a confiança ao grupo “B “; estes gostariam de ser diferentes dos antecessores mas na realidade, na essência são iguaizinhos a ele; somos levados a pensar que de politicas talvez não estejamos tão mal; quiçá estamos em presença de um deficit de qualidade de quem as implementa. As ideologias ortodoxas convencem cada vez menos gente; em Cabo Verde se os interesses se justificarem alguns políticos proeminentes podem perfeitamente em situações precisas enlearem em abraços e beijos para logo a seguir dizerem cobras e lagartos uns dos outros (estariam os leitores lembrados de uma cena parecida ocorrida muito recentemente, nesta nossa sopa de politica entre dois actores de proa?) Ouvimos ultimamente algumas declarações publicas que por pouco ia fazendo crescer de novo os cabelos, estes, que há muito me abandonaram. Senão vejamos uma das decorrências directas e super perniciosas da nossa democracia: quando há mudanças na chefia do país, começa-se de imediato a pôr em causa tudo de vulto que os antecessores fizeram, com o dinheiro de todos nós, para pouco depois, sorrateira e safadamente, caírem na real e começarem a reconstruir tudo de novo (quase…) à imagem da praxis da outra senhora; tudo isto acontece debaixo das nossas ventas de cinco em cinco anos; entretanto se o humilde e iletrado cidadão, por força das evidências disser que os seus parcos recursos estão sendo gastos de forma incorrecta, e que a democracia tal qual lhe é presenteada não serve cabalmente os seus propósitos, ou que aquela tem buracos do tamanho da ignorância e da irresponsabilidade de quem estiver a governar, ou a fazer oposição … então será um, deus nos acuda: “a política não foi feita para qualquer labrego entender”. E vem o escárnio, o desprezo ou a crucificação na praça pública, por parte de quem pensa que, para ser médico, basta entender de Medicina ou ter um canudo.


Péricles Barros
(Cidadão) Praia , 21 de Setembro de 2009

1 comentário:

  1. ... Mais uma Janela se abriu, Já que nos trancaram a porta da Liberdade... Continue a dar-nos motivos para pensar. Nós somos a "nova geração" desenraízada da Pátria. Et

    ResponderEliminar

Seguidores