AUTARQUICAS MPD : DAS LICÕES A APRENDER DAS
DISTRACÇÕES DE JANIRA HOPPFER ALMADA …E DA DERROTA DO PAICV NAS LEGISLATIVAS ….
É mais do que evidente que estamos num contexto de
embate político diverso das legislativas e pergunta-se porque fazer alusão a
elas no contexto de pré-campanha autárquica. Trata-se de um contexto de
concorrência política pré-eleitoral intra-partido. Porém, a verdade é que esta
luta política é feita por pessoas, politicos ou candidatos a cargos políticos,
supostamente supervisionada e capitaneada pela direcção do partido. Quando há
cidadãos a pelejar pelo poder há riscos naquilo que se faz ou se diz em
público, etc. Uma palavra em falso, um gesto infeliz, uma comparação despropositada
pode ser a morte do artista e dos objectivos superiores do partido . Neste caso
em particular, há o combate entre os pré-candidatos, supostamente com regras
predefinidas e as recomendações do partido sobre a ética. Note-se que está mais
que provado que recomendações são de difícil implementação e controlo.
O candidato Agostinho Lopes deu, atempadamente, sinais
formais de preocupação pela falta de cumprimento das tais recomendações do
partido para este período e, quiçá, alguma falta de decoro e lisura da parte
dos colegas pré-candidatos. Convenhamos que atropelos aconteceram e continuarão
a acontecer por imperativo das dificuldades de fiscalização e consequente
“enforcement” (fazer valer as recomendações), missão quase impossível .
Entretanto, em nosso entender, cada pré-candidato deve cumprir para poder
exigir. Por outro lado, dizia, há outro combate e o mais relevante, o
INTERPARTIDÁRIO, a saber, entre o PAICV e o MPD para ser mais preciso e é aí
que reside o risco maior. Quem quer perder a Capital? O espetro de um desaire
está sempre presente. Para o MpD seria um desastre completo, para alguns algo
impensável. Porém, não há dúvidas. Se o MPD está em posição de vantagem, deve
acautelar-se e assumir o comando deste processo e, eventualmente, não convocar
os putativos candidatos para evitar que as rédeas caiam nos dentes, e possam
acontecer surpresas desagradáveis. As armas permitidas no combate de terreno
tem limites. Bem que o partido podia ter estabelecido regras outras que podiam
não ser as sondagens com elemento fundamental de selecção. A decisão foi boa.
Porém, poderá se facilmente desvirtuada se não houver preocupações com a sua
eficácia. Na tese que a proliferação de pré-candidatos para as sondagens de um
dia para o outro, sem fundamento convincente, poderá neutralizar aquilo que
inicialmente se esperava com a utilização deste instrumento, ou seja, garantir
a integridade do “peso especifico da preferência do eleitor “ como
determinante, apesar dos outros critérios pré-estabelecidos. Ora bem, em se estreitando
as margens entre os pré-candidatos este peso especifico diluir-se-á legitimando
a preferência da maioria dos membros que decidem a nível do partido. Poderemos estar a assitir à sobreposição de
interesses outros em relação aos sagrados interesses do eleitorado. Caso houver
desconfianças sobre a transparência do
processo por parte de um ou outro candidato, isso poderá despoletar acusações
que só beneficiarão a oposição, com consequências imprevisíveis. A partir daí,
os riscos transbordarão as fronteira intrapartidário passando para o campo
interpartidário. Tudo aquilo que for insinuado, dito ou feito pelos eventuais pré-candidatos,
“desclassificados e feridos de morte “, serão utilizados pela oposição que irá
descredibilizar o MPD. Aquando da legislativas,
JHA, quicçá por imaturidade política, distraiu-se, não deu valor a
algumas frases, atitudes e posturas assumidas a quente durante a campanha,
aconteceu o que todos sabemo. O facto de ter desvalorizado subiliminarmente a
espinha dorsal e ideológica do partido, com a infeliz frase “PAICV não é um lar
de idosos”, ou coisa parecida, custou-lhe imenso. A veterania abandono-a
literalmente; JMN fez um tremendo compasso de espera e quando entrou na campanha já era. Nem a
“siridjada” desajeitada que fez à JHA, que em público serviu para salvar a nau,
quando pensou ter tudo na mão, aconteceu o pior: tropeçou num “pastel com diabo
dentro” , e caiu num prato de “canja de galinha”, tudo isso super bem explorado
pela oposição (ooops!) . Muito cuidado, MPD! Perder a Capital por distração ou
por manobras pouco claras está fora de questão!
É nesta lógica que a pré-candidatura de Agostinho
Lopes se enquadra
PB
20 de Maio de
2016



