terça-feira, 13 de outubro de 2009

CABO VERDE PRECISA URGENTEMENTE DE POLITICOS DE TERCEIRA GERAÇÃO




( … Os políticos modernos estão condenados
a se dotarem de estratégias, tácticas e instrumentos
bem precisos e sofisticados ; devem ser capazes de
reinventa-los e reconfigura-los permanentemente.
caso contrário perdem o comboio, e ficam no púlpito
a fazer sinais de transito enquanto todo o tráfego
está ocorrendo na rua ao lado. .)

Parte IV/ IV




Há duas perguntas que merecem respostas prontas por quem de direito, e em tempo útil : Quem estará disponível para integrar listas para o parlamento nos próximo pleito eleitoral em de 2011? Que critérios de selecção deverão ser adoptados pelos presidentes dos partidos?
Se fizermos uma pequena retrospectiva do desempenho da classe política presente na mais alta instância da soberania cabo-verdiana a Assembleia Nacionalnos últimos anos ( e porque não nos outros órgãos de governação do pais.. ) , salvo as devidas excepções , chegaremos facilmente à seguinte conclusão: temos tido um enorme deficit de desempenho politico global dos sujeitos parlamentares de ambas as bancadas. O primeiro sinal tem a ver com o elevado índice de absentismo nas sessões da AN. Temos figuras, que já estão a aquecer as cadeiras do parlamento há dois e três mandatos; alguns até já produziram alguma coisa , outros porém, transformaram-se em autenticas mobílias carunchosas de três pernas; uma parte substancial de deputados de ambas as bancadas após tanto tempo a beneficiarem de um estatuto privilegiado de eleito nacional, com um salário que nem sempre se traduz em produto político legislativa, têm pelo menos três denominadores comuns: - vícios crónicos e recorrentes, (do tipo dos cometidos pelos alguns célebres locutores de rádios, por décadas sem se darem conta …), audição muito selectiva, (.. ouvir somente aquilo convêm..), descartar tudo aquilo que vem da bancada contrária ; algumas destas mobílias, esqueceram-se da sua profissão de base e padecem de perda continua de capacidade competitiva a nível do mercado de trabalho, porquanto ficam carrapatidos nos assento da AN . Ora tudo isto, acompanhado de uma grande dose de cosmética institucional, cria um clima já perfeitamente identificado pelo cidadão anónimo ao longo dos anos , a afiliação partidária. Justiça seja feita aos poucos que não se inscrevem neste rol. Os comentários dos bares e dos espaços de ajuntamento de “mandadores de boca” , naturalmente não são audíveis aos sujeitos parlamentares. Se por acaso, ouvirem um outro rebelado mandar umas bocas dizem logo : ” conversa de ignorantes, apolíticos, rabentolas.. ”. Vezes sem conta ouvimos desabafos , em tom jocoso ou de ira, para o transístor, que teima em retransmitir as sessões da A N : “ paciência , parece que este pessoal no parlamento ou não consegue ouvir a sua própria a voz, ou só ouve aquilo que lhe interessa , ou aquilo que ninguém diz.. .”; isto de, repetições desnecessárias, perdas vergonhosas do tempo de todos , acusações de circunstancia, defesas descabidas, já todos estamos sobejamente habituados! O que é triste, é fazerem tábua rasa aos sentidos que Deus deu a todos nós. È no mínimo absurdo ouvir alguém em pleno gozo das suas faculdades, comentar sobre a intervenção que o antecedeu: “o senhor nada disse” ( tratando-se naturalmente de aspectos que aquele não quer ouvir, mas que foi audível para todo o mundo ... ). Porém, quando um infeliz diz algumas balelas e é alvo de tchacota colectiva, vem um camarada colega inventar um rol de baboseiras à pressa para o defender. Enfim às vezes assistimos a verdadeiras palhaçadas, e só eles é que não vêem de onde vem a piada. O problema é que estes artistas não se dão conta que nós daqui do bairro estamos, como sempre com o ouvido colado à rádio e ouvindo tudo , entra ano sai ano … Dá estragá ! Infelizmente o nosso parlamento mais vezes que desejaríamos envia impulsos e mensagens menos positivas para a sociedade. É também altamente preocupante, para não dizer confrangedor, ouvir “alguns” digníssimos eleitos nacionais falarem despudorada e petulantemente sobre matérias relativamente às quais não se deram a um trabalho mínimo de investigação ; Quem não ouviu governantes a anunciarem em alto claro e bom som : “ este ano com certeza iremos ter as bacias hidrográficas”. Com se elas fossem produto de algum governo e não parte integrante da da mãe natureza.. . Ou por exemplo: “ baixamos X posições no ranking internacional, mas fiquem sabendo que isto não significa nada . Ña realidade crescemos .. “ Como, se o cidadão médio desconhecesse o significado relativo e ou absoluto do valor dos indicadores; podemos até ter crescido, mas certamente .. mas se baixamos no ranking internacional , algo de menos bom aconteceu. Isto é elementar quem insiste nestes argumentos de meia tigela tem certamente os dias contados. Pena que patacoadas desta natureza acontecem também em conferencias e seminários , onde muitos falam enquanto representantes do povo. Simplesmente uma vergonha nacional. Às vezes fica-se com imensas duvidas por esclarecer, e que vêm na linha dos denominadores comuns aos quais inicialmente fizemos referência. Qual é a verdadeira justificação para este descalabro? Os líderes dos partidos assistem a este carnaval e parecem estar de mãos atadas. Hoje não se pode admitir conivências com mediocridade na política. Que incentivos existem para que os jovens capazes, ( não os cábulas , e ou caixas de ressonância dos velhos matreiros ..) optarem por uma carreira na política? Há muita coisa a dizer sobre este assunto. Escola de política precisa-se? e porque não? Há aspectos incontornáveis que não podemos deixar de referir. mais que claro que os tempos de hoje estão a mudar com uma velocidade vertiginosa, e a politica tem que manter a passada da modernidade. Fazer politica séria, consequente com solidez, porquanto merecedora de respeito, requer ingredientes precisos a saber: Conhecimento claro do sentido e da direcção que devem ser imprimidos ao país, dispor de assessoria politica e técnico-científica permanentes e da mais alta qualidade, amplo domínio de informação, vontade e coragem para eliminar logo que detectados , sinais de mediocridade , incúria e oportunismo latentes na actividade governativa. Quem não for capaz de eliminar atempadamente os tradicionais contaminantes da arte de fazer politica, e rodear-se de gente capaz nas diferentes áreas de governação está condenado a morrer antes de entrar na urna . Se a politica é também a ciência que agrega e potencia um sem numero de valências meios e capacidades em prol do bem estar da sociedade, os seus protagonistas e agentes devem antecipar-se aos acontecimentos e as tendências que se desenham na sociedade. . Os políticos modernos estão condenados a se dotarem estratégias, tácticas e instrumentos bem precisos e sofisticados ; devem ser capazes de reinventa-los e reconfigura-los permanentemente, caso contrário perdem o comboio, e fica no púlpito a fazer sinais de transito enquanto o todo o tráfego está ocorrendo na rua ao lado. Antigamente toda esta parafernália no modus faciende da politica era facilmente substituída com meia dúzia de palavras certas ditas no tom e no timbre adequados; hoje, com dizia o meu saudoso tio “ Nem flaça”! Hoje é muito fácil desmontar discursos baratos e populistas, com três cliques .
Convenhamos, que fazer é obrigação de quem governa; fazer bem feito é apanágio de alguns ... Iluminados. Fazer mal feito e ou permitir que outros o façam , desgasta, que nem rebarbadora sobre esferovite . É mais do que evidente que no seio dos dois maiores partidos de Cabo Verde e que efectivamente têm vocação de poder, os jovens estão a consolidar uma postura de irreverência positiva, exceptuando alguns conhecidos verdadeiros “talibãs”, porquanto genética, ou circunstancialmente mal defeituosos . Poucos aceitam ser mulas da política torpe de qualquer fala barato; são capazes de se demarcarem de figuras patéticas e desequilibradas no seio dos seus pares sem pôr em causa a sua afiliação partidária; não se muda de partido por da cá aquela palha; Ora , partindo do principio que a situação tenderá a evoluir de molde a cada vez mais se premiar a excelência, a competência, a qualidade, e o rigor, dizíamos, estamos convencidos do seguinte : Ou se escolhem pessoas capazes de inverter completamente a forma de fazer politica em Cabo Verde por um lado melhorando a imagem dos seus protagonistas , ou os partidos se inclinarão para um descrédito crescente e sem precedentes; Este presságio preocupa-nos sobremaneira pois na realidade quer queiramos quer não , na democracia pluralista, que nós abraçamos com a abertura politica nos dos inícios dos anos 90, os partidos políticos são instituições incontornáveis, na democracia. Por estas e outras razões, não temos duvidas que CABO VERDE PRECISA URGENTEMENTE DE POLÍTICOS DE TERCEIRA GERAÇÃO, a geração pós independência e certamente pós anos 90, verdadeiros soldados da democracia e promotores da uma autentica cultura de constitucionalidade.

Péricles Barros
(Cidadão )

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