…DOS EQUÍVOCOS
E DAS AMBIÇÕES
Parte II
Na
corrida à camara Municipal da Praia, quer queiramos quer não, há que ter em
conta, sobretudo, os riscos inerentes a uma ou outra alternativa em presença. A
política, enquanto arte de vender propostas de qualidade de vida aos cidadãos e
à sociedade, tem dois actores fundamentais: o político, quem vende, e o cidadão
eleitor, quem compra pelo voto. Aquele deverá certamente apresentar projectos estruturantes
a médio e longo prazo, mas muitas vezes isto passa despercebido ao Zé do Povo, particularmente,
o mais desfavorecido ou as muitas vítima dos “caçu bodis” que grassam por ai, sem controlo. Quer os políticos visionários
e sonhadores que se estribam fundamentalmente em propostas de mega projectos,
quer aqueles com vocação de “capitão de cabotagem“, os tais tecnocratas imediatistas,
são ambos, no mínimo, perniciosos para a sociedade. Deve-se levar em conta que,
por via de regra, o cidadão anónimo, é cada vez mais avesso a promessas demagógicas
e populistas que subalternizem aspectos essenciais da vida quotidiana ou
exigências com carimbo de urgência, que refletem políticas inclusivas. A vida
está cada vez mais difícil em todos os aspectos e as pessoas precisam de respostas
céleres e propostas equilibradas. A educação para a cidadania política, que
induz capacidade crítica para interpelar os candidatos de molde a explicarem da
justeza e seriedade das suas propostas, aprende-se com o tempo, e o tempo é o
que não temos em abundância. O cidadão desprotegido e carente demonstra, cada
vez mais, desapego para questões ideológicas puras. Porventura há razões de sobra
para este comportamento. Estes eleitores já provaram que podem mudar de partido
com a maior das facilidades. Por Isso, é
mister que os partidos, neste caso o MpD, crie condições para que quem vier a
ser selecionado tenha CAPITAL POLÍTICO suficiente para não comprometer os
grandes desígnios do Partido e compreendê-los e não só. Importa impedir que as
propostas dos partidos concorrentes tenham mais credenciais políticos e correr-se
o risco de perder a cidade capital com as consequências gravosas daí
advenientes. A cidade da Praia, capital de Cabo Verde, precisa de um Mayor que entenda destes riscos com a
devida clareza e maturidade. Respeitabilidade
é a palavra de ordem. Convenhámos, o detentor de um “brevê” de pilotagem de
aviões ligeiros não estará em condições
de pilotar um BOEING 707. O povo quer mais água, mais estradas, mais e melhores equipamentos urbanos, mais segurança, mais e melhor saneamento,
habitação condigna, inclusão, enfim, quer mais CIDADE. Pode, até esperar até
amanhã, mas não mais. Se isto é ou não razoável, são outros quinhentos. Correr
grandes riscos hoje, com condutores políticamente inexperientes, embora
detentores de competência técnica, está fora de questão. Gerir uma capital é
tarefa política na sua essência e compete aos políticos de craveira assumir
esta responsabilidade e isto requer pergaminhos outros.
É nesta
lógica que a candidatura de Agostinho Lopes se enquadra.
PB
