OS MÍNIMOS OLIMPICOS
PARA O PROXIMO PR DA CAMARA DA PRAIA
…DOS EQUÍVOCOS E DAS AMBIÇÕES
Parte I
Eis o momento do render da guarda no Estado-Maior do Município
da Praia, capital de Cabo Verde; saímos de um período profícuo com resultados
francamente positivos para a cidade de todos nós. Importa neste momento de
passagem de testemunho, analisar o que de inédito ocorreu nos últimos oitos
anos e que nos conduziu a este balanço positivo para podermos aspirar a mais e
melhor. Dentre outras razões do sucesso podíamos destacar as seguintes:
•
Uma
plataforma político-programática bem articulada, com ambição e realismo o
quanto baste
•
Uma
vontade inabalável de respeitar os compromissos assumidos com o eleitorado
•
Uma
liderança política sólida profundamente alicerçada nos valores de cidadania,
defendidos pelo Movimento para a Democracia.
É neste contexto que devemos perspectivar e ambicionar o perfil
do receptor do testemunho da edilidade do capital do país. Quem, sobre o qual
recair a confiança do eleitorado e do partido para assumir a missão de garantir
o progresso desta cidade com o ritmo e a qualidade que ela merece, terá de ter
os mínimos olímpicos para o efeito. Sobre isso não pode haver equívocos nem titubeio.
A qualidade e disponibilidade dos recursos humanos, materiais e financeiros
sempre estiveram presentes, em todos os mandatos da segunda república na medida
em que o país e a cidade da Praia em particular, puderam dar a quem liderou
este município no passado recente. Dificuldades em aferir correctamente a
importância dos “Recursos, quer humanos materiais ou financeiros, com traquejo e
experiência e compromisso políticos no processo de escolha do candidato, poderá
ter consequências gravosas no futuro próximo. Os mínimos olímpicos do candidato
devem ser avaliados, medidos com bitolas políticas e não de outra natureza. Importa
frisar que, na linha de montagem dos ”bens de interesse público” conseguidos
durante os últimos anos a importância dos “recursos”,
na sua perspectiva mais ampla e inquestionável. Estes, porém, serão sempre activos
complementares e ou subsidiários. A escolha do próximo timoneiro da Capital de
Cabo Verde deverá levar em conta estes imperativos, sob pena de se verem
comprometidos os ganhos já conseguidos
É absolutamente compreensível que haja apetências e ambições
para a ocupação do lugar cimeiro na gestão do Município da Praia, sob o argumento,
porventura, de continuidade. A democracia assim o permite. O Município da Praia
precisa de muito mais que uma equipe que garanta a continuidade do que de bom
se fez e se deve continuar a perseguir. Sobretudo necessita de dar saltos
qualitativos e ambicionar responder a novos desafios. Da mesma forma que se assistiu
a uma descontinuidade pela positiva do “modus operandum “ da equipa antecessora
à de UCS, deve-se estabelecer novas fasquias para o futuro da cidade. Importa respeitar o que já foi feito em
toda a sua dimensão, impacto e simbolismo, mas importa abraçar uma nova ambição. Uma visão inovadora e uma nova
linha programática de forma a capitalizar os ganhos anteriores e dar caminhos
ao futuro. A título exemplificativo, a cidade da Praia esta mais limpa, com
medidas assertivas e corajosas do anterior governo Municipal; um dos requisitos
de uma cidade bem gerida é mantê-la LIMPA. A limpeza e a salubridade de uma
cidade são condições de “normalidade”; a sociedade agradece e valoriza.
Agora a Cidade merece e quer mais. Acções concretas devem ser
implementadas para nos aproximarmos do conceito maior de Saneamento Urbano
Construir uma Cidade é um processo histórico, contínuo e permanente.
Os seus líderes mais ou menos proeminentes, e, quer queiramos quer não, há
alguns que deixaram os seus nomes escritos com letras de ouro no panteão da
história das urbes. São todos igualmente relevantes, não obstante a avaliação
que se faz deles no fim dos mandatos na perspectiva de proporcionarem aos vindouros novos desafios,
estímulos e necessidade de utilização de novas ferramentas e estratégias de gestão.
Porventura poderá ser intelectualmente incorreto considerar que as conquistas
na gestão da cidade têm proprietários, mentores e obreiros insubstituíveis. Quiçá,
o que define a traça dos grandes autarcas e a capacidade de forma subliminar ou
expressa, demonstra que a cidade pertence aos cidadãos, que aos incumbe tão-somente,
e por período limitado, darem tudo de si para facilitar o trabalho dos
timoneiros vindouros. Neste particular, UCS foi exímio. Ele foi um autarca bem-sucedido;
soube legar ao vindouros um ambiente mais fácil de gerir do que aquele que encontrou,
uma cidade mais equilibrada, mais inclusiva, onde imperou de forma relevante e visível
o respeito pelo utente anónimo. Foram estes, dentre outros aspectos, não menos relevantes
o legado político de UCS. Produto de uma liderança política séria e consequente.
O futuro líder terá também de ter uma atitude política na
mesma linha para que não se perca o fio dos elevados desígnios políticos da
capital de Cabo Verde; o novo líder tem de incorporar uma valência política
refinada, não será um mero continuador do trabalho anterior, mas o garante que saltos
positivos ocorrerão para o gáudio dos cidadãos utentes deste município. Por
essas e outras razões, dentre os pré candidatos, Agostinho Lopes, está
indubitavelmente no pole positon. Agostinho
Lopes, se merecer a confiança do eleitorado e do partido, terá uma missão
difícil mas possível. Desfruta de um trajecto e património políticos que dão
garantia, à partida.
Praia , 9 de Maio de
2016
Fim da parte I
Continua …

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